quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A vitória de Renan é a derrota do povo!

Por Aline de Freitas Queiroz Louzich
Hoje nós honramos toda fama que temos.A mais ou menos duas semanas atrás o país comemorava, como feito histórico, o recebimento da denúncia dos envolvidos com o mensalão. Situação que causou estranheza em alguns, afinal, comemorar por quê? Não fizeram mais que obrigação!
E dizer que foi um acontecimento histórico é assumir que o Brasil é um país de impunidade.
Oras, e já que é verdade, vamos comemorar! Como dizia Renato Russo, comemorar nossa estupidez! Comemorar porque somos um povo sem memória e encarar a realidade que nós os reelegeremos nas próximas eleições; comemorar, porque acreditávamos que de certa forma tínhamos alguma participação naquela decisão.Bobos, é o que somos.
Hoje, o nosso Poder Legislativo nos deu a prova de que somos meros coadjuvantes na política de nosso país, e que, nosso querer ou voto não significam nada, nos mostrando quem realmente tem “o poder”.
Hoje, caros amigos, foi o dia em que ficou para trás qualquer lembrança daquilo que um dia foi DEMOCRACIA.
Essa “pizza” tamanho família foi proposital, para dizer ao povo brasileiro quem é que manda, colocando cada um de nós no seu devido lugar, ou seja, na plebe. Sempre abaixo.Entraram em seu castelo, trancaram-se lá, e só faltou anunciarem que tinham acabado com o presidencialismo, a forma federativa de estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos poderes, os direitos e garantias fundamentais e, enfim, com a Constituição Federal Brasileira. Pobre de nós. Lacaios de pequenos e isolados ditadores. Burgueses, fidalgos, tiranos...nazistas! Querem a nossa mão-de-obra barata, querem cobrar nossos impostos para alimentar suas famílias reais, seus luxos e caprichos, querem criar uma raça pura de corruptos e servos conformados.
Mas, o que isso companheiros?
Vamos fazer um carnaval fora de época e afogar as nossas mágoas!Vamos celebrar mais esse momento histórico do nosso país, o dia em que a democracia mudou de nome, dia que presenciamos a nova ditadura, a DITADURA DE SENADORES.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cadê o dinheiro da CPMF?

Por Aline de Freitas Queiroz Louzich
Hoje acordei me perguntando, será para onde foi o meu dinheiro da CPMF?
Será que foi para previdência?
Certamente que não! Esta está à beira de um colapso, suportando as mazelas causadas pelo desamparo do Estado, fazendo papel ora de instituição de caridade, ora de órgão impositor e cruel. Essa previdência que, na sua maioria das vezes, tem dois pesos e duas medidas.Uma previdência que tira, e reluta em devolver. Uma previdência quase que falida.
Não, não foi para previdência!
Então pensei, talvez tenha ido para educação! Investiram o meu dinheiro na construção de escolas, compra de materiais didáticos, livros, melhorias, benfeitorias...espera!
De qual país estamos falando?
Onde alunos de escolas públicas não tem merenda, uniforme ou carteiras, onde um computador defasado é disputado entre professores, direção e alunos, escolas onde banheiro é sinônimo de sujeira e pátios de depredação. Onde alunos assistem aula embaixo de árvores por falta de salas, um país onde crianças a partir do 6 anos tem que andar em paus-de-arara ou coletivos-bombas, superlotados...ou pior, caminham quilômetros para encontrar uma pequena escola de pau-a-pique, com uma pobre professora de coração nobre e muito mal paga?
Certamente esse dinheiro não foi para educação, antes tivesse ido, teria sido muito bem empregado! Oras, mas é lógico, foi para habitação! Afinal, quantas milhões de casas populares os BILHÕES da CPMF poderiam ter construído? Casas? Bilhões? Moradia? Não vimos nada disso! Pensando bem, esse dinheiro não foi para habitação.
Afinal, ainda mora gente em caixa, caixote, lona, papelão, ponte, carroça, praça, calçada. Ainda tem gente que simplesmente não mora! Ainda tem gente que deixa de comer para pagar aluguel. Definitivamente esse dinheiro não foi para habitação.
Mas talvez tenha servido para erradicar a fome!
Quem sabe investiram em mais fome-zero, bolsa família, auxílio disso, bolsa daquilo, e se isso tivesse realmente acontecido já estaria de bom tamanho.
Mas não é bem assim! Ainda tem gente que come lixo, sobras de uma sociedade capitalista e egocêntrica, tem crianças que vendem bala no sinal para sustentar parte de uma economia de sub-mundo-esquecido, tem gente que morre de desnutrição em um dos países mais fartos do mundo, que gaba-se de aumentar a exportação e esquece-se de abastecer o mercado interno, ou em outras palavras, abastecer “o bucho de sua população”, tem criança que só faz uma refeição no dia, aquela doada por iniciativas particulares, de gente que tem bem menos do que merecia ter, e mesmo assim, se comove e divide, tem gente morrendo de fome, literalmente, em um país-continente, grande, farto e rico, tem crianças cheirando cola pra disfarçar a fome em frente aos nossos olhos embaçados pelo comodismo.
Não, ninguém matou a fome com o nosso dinheiro!
Ah, mas e a Cultura e o Esporte? Patrocinaram nossos heróis! Não com a CPMF! Nossos atores, músicos, pintores, artesões, esportistas mendigam um patrocínio de qualquer alma caridosa que queira ajudar, e, se brilham, é por mérito próprio, sangue e suor, e nenhum incentivo.
Talvez por isso a vitória deles é ainda mais saborosa! Eles não viram a cor do dinheiro da CPMF.
Mas é claro, não podemos esquecer, o dinheiro foi para saúde!
Saúde?
Que saúde?
Quem saúde?
Onde saúde?
Se esses BILHÕES arrecadados foram para saúde, nosso país tem a melhor saúde mundo. Passamos Cuba.
Afinal, BILHÕES daria para construir muitos hospitais, leitos, UTIs, e ninguém morreria em calçadas por falta de leitos, por falta de médicos, por falta de exames, por falta de postos, por falta de remédios. Aliás, se todo esse dinheiro tivesse sido investido em saúde, ninguém mais morreria!
Infelizmente, nosso dinheiro não foi para saúde.
E se foi, ninguém viu!
Mas, e se talvez esse dinheiro tenha ido para o PAN! Afinal iria trazer tantos benefícios para...para quem mesmo? Mas o povo ficou feliz! É isso que importa! Com fome, sem educação, sem habitação, sem saúde, mas feliz! Quem sabe agora não aprovem a CPMF de vez para investir na Copa! Afinal, o que importa as mazelas de um povo, quando se tem festa, carnaval e futebol!
Vamos comemorar a nossa “Copa” para 2014, investir nossos próximos 07 anos de impostos em lugares onde não se pode ver, e deixar nosso povo morrendo as minguas, afinal, a “Copa do Mundo é nossa”... e as dívidas, o descaso, a fome, o desamparo, o tráfico, o medo, a dívida externa, o MST, a morosidade da justiça, a corrupção, e todas as desgraças de um povo esquecido...isso tudo também é nosso!
Vamos abraçar o que é nosso e simplesmente celebrar!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Não meta o seu nariz no Poder Judiciário!!!

‘A sociedade está desacreditada com o Judiciário!’
Não é possível mensurar o quão esse desabono é decepcionante para um operador do direito.
Isso porque, apesar de reconhecer nossas limitações, conhecemos nosso potencial, e somos capazes de enxergar o quanto nosso país é dependente desse Poder. O Brasil não andaria sem o Judiciário. Mas é perfeitamente compreensível, ouvir uma pessoa dizer que a justiça não anda, que é injusta, falha ou cega. Não estamos negando isso. Porém, é preciso reconhecer que a lentidão tem causa, e não começa no Judiciário, mas sim no sistema. Aliás, o problema está justamente aí, na sobrecarga que um sistema falido deposita sobre o único Poder que ainda detém um pouco de decoro e hombridade. Mas apesar disso, somos maldosamente taxados. Necessário lembra-los que recentemente o Líder do Poder Executivo disse que o Poder Judiciário não deveria “meter o nariz” onde não é chamado. Seria cômico, se não fosse trágico. Oras, meus caros colegas, é preciso lembrar a esse “Senhor” que o judiciário mete-se para o bem de uma sociedade abandonada por um Governo cego, surdo e mudo (quando não fala demais). É preciso lembra-lo, de que, além do seu papel típico, o Judiciário exerce a função de legislador, quando, por incompetência, lassidão, desatenção ou desinformação, o Legislativo deixa lacunas ou antinomias estampadas em leis tardiamente promulgadas, verdadeiras incógnitas para uma sociedade, infelizmente, ignorante. Ou quando o Executivo não desempenha cabalmente suas funções típicas, quanto mais as atípicas, deixando-as a cargo de “sabe-se lá quem”, bem como, quando os “Digníssimos” se esbaldam naquilo que é do povo em proveito próprio, preocupando-se apenas em como esconder o rombo causado nos cofres públicos.
Não se pode olvidar ainda, que se o Estado não desempenha suas funções, se seus órgãos não fiscalizam, não interferem e não punem, o Judiciário é quem tem que fazer isso. Além de julgar, esse Poder ainda tem que administrar, legislar, decidir, debater, fiscalizar, punir, coibir, reprimir e muitos outros encargos que são exercidos por uns poucos servidores e uma estrutura deficitária.
Fica, portanto, evidenciado aqui, que é pelas incompetências de “outros” Poderes que os escaninhos do Judiciário estão abarrotados e a justiça morosa. Problemas que causam prejuízos incalculáveis a moral da sociedade, mas principalmente, causa prejuízos materiais a todo um País. O judiciário intervem sim, não por altivez, ou para meramente “meter o nariz”, mas porque luta para desempenhar bem as funções para a qual foi criado, e honrar a confiança depositada por um povo carente de heróis, que se ilude facilmente nos anos eleitorais, e ainda, para tentar carregar nas costas o peso da culpa pelos prejuízos causados por um sistema ‘incompetentemente’ derruído.
Não será, uma opinião rude, ou um pensamento mesquinho, que intimidará o Poder Judiciário, pois, enquanto este país for uma República Federativa e um Estado Democrático, o nosso Poder seguirá zelando pela “moral e bons costumes”, persistirá, mesmo que mancando pelo o peso da irresponsabilidade alheia, desempenhando suas funções “típicas e atípicas”, e continuará “metendo o nariz” naquilo que é do interesse do povo pelo qual existe e defende!
Por Aline de Freitas Queiroz Louzich.

domingo, 5 de outubro de 2008

Boca de urna, justo comigo!?

Sem dúvida hoje foi um dia importante.
Importantíssimo.
Foi dia de eleição em todo país.
Deixei para comparecer a seção de votação no final da tarde presumindo que as filas estariam menores. Munida de meu título de eleitor e documento de identidade, fui, acompanhada de alguns amigos, em uma seção bem no centro político da cidade. Chegamos.
Estacionamos bem (digo BEM) na entrada do Colégio onde funcionava a seção. Descemos do carro.
Enquanto pegava minha bolsa, ainda com a porta do veículo aberta, ouvi uma motocicleta parar bem atrás de mim.
Virei-me.
Um rapaz, que, infelizmente, não pude ver o rosto pelo tortuoso capacete, esticou o braço com um papel nas mãos e disse “vote nesse número aqui”.
Por um momento senti a terra parar de girar sob meus pés.
Talvez eu estivesse exagerando. Talvez no fundo, todo meu consciente soubesse que aquilo estava acontecendo no país inteiro descaradamente. Mas não pude deixar de me frustrar. Não pude deixar de me sentir o nada, diante do “mais nada ainda”.
Oras, pensei, enquanto a sociedade brada desesperadamente por um país mais asseado e eqüitativo, enquanto a mídia escancara a miserabilidade cultural de nosso país, reflexo dessa inconstância deprimente de opiniões partidárias e dessa esdrúxula e cômica roubalheira, algum nefasto cidadão (se é que se pode chamar de cidadão) tem o despautério, a minimozidade, a estupidez social de fazer “boca de urna” tão, mas tão, descaradamente!
Justo comigo?
Fiquei imóvel!
Ele lá, falando, falando, e eu, totalmente sem reação. Pensei em tudo que aprendi na faculdade. Mas principalmente dos conceitos de moralidade que aprendi em casa. Lembrei-me dos Mestres que tentaram me ensinar o mínimo de decoro e aquilo que, na simplicidade de brasileira patriótica, tentei passar aos meus alunos.
Cheguei a sentir pena dele. Passou rápido, aí senti pena de nós.
Lá, totalmente imóvel, a reação que tive foi olhar a minha volta incrédula, foi quando vi, do outro lado do carro, meus “amigos brasileiros” igualmente descrentes.
Voltei-me ao apolítico e só consegui dizer-lhe “boca de urna é crim...” nem deu tempo de terminar a frase. Não vi para onde ele foi.
Foi incomensuravelmente frustrante. Agora, em casa sinto-me ainda pior!
Talvez (certamente) por saber que, nesta hora, aquele infeliz apátrida deve estar comemorando a sua vitória, ou a vitória do astuto que ele ajudou a eleger.
Isso sim é muito, muito triste.

Por Aline de Freitas Queiroz Louzich.
http://ventuspopularis.blogspot.com